A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) é amplamente utilizada para o alívio dos sintomas da menopausa e para a melhora da qualidade de vida. No entanto, seu impacto sobre o risco tromboembólico tem sido uma preocupação constante. Neste artigo, revisamos as evidências mais recentes sobre a relação entre TRH e tromboembolismo venoso (TEV), considerando diferentes vias de administração e tipos de hormônios.
TRH e o Risco de Tromboembolismo Venoso
Estudos indicam que a TRH oral está associada a um aumento significativo no risco de TEV, especialmente nos primeiros meses de uso. A literatura aponta um risco relativo (RR) de 2 a 4 para usuárias de TRH combinada oral em comparação com não usuárias.
Por outro lado, a TRH transdérmica apresenta um risco menor. Meta-análises demonstram que não há aumento estatisticamente significativo do risco com essa via de administração (OR 0,97). Além disso, formulações transdérmicas contendo apenas estrogênio apresentam um risco relativo ainda menor (OR 0,95).
Influência dos Progestágenos no Risco de TEV
O tipo de progestágeno utilizado na TRH também impacta o risco trombótico. A progesterona micronizada e a didrogesterona estão associadas a menores riscos, enquanto o acetato de medroxiprogesterona pode aumentar o risco de TEV.
A combinação de estrogênio transdérmico com progesterona micronizada é considerada uma opção mais segura para mulheres com predisposição a eventos trombóticos.
TRH em Mulheres com Trombofilia
A presença de trombofilias hereditárias, como a mutação do Fator V de Leiden e a mutação da protrombina, requer uma avaliação criteriosa antes da indicação da TRH.
Estudos sugerem que a TRH oral pode exacerbar o risco trombótico em indivíduos com essas condições, especialmente quando há fatores adicionais, como obesidade ou imobilidade.
Considerações Clínicas e Conclusão
Embora muitas mulheres saudáveis possam fazer uso seguro da TRH, aquelas com histórico de TEV ou trombofilia necessitam de uma abordagem personalizada. A TRH transdérmica, associada a progestágenos de menor risco, é geralmente preferível nessas populações de alto risco.
Os médicos devem realizar avaliações detalhadas do histórico de trombose antes da prescrição da TRH. Em casos mais complexos, a colaboração com especialistas em hematologia pode ser essencial para um manejo seguro e eficaz da terapia hormonal.